• 21Abr2017
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Como É Que É Ser Rainha? Entrevistámos Claire Foy Em Exclusivo

Agora que a segunda temporada de The Crown vai começar, falámos com a atriz que dá vida à Rainha Isabel II. Foto: © D.R.

Claire Foy estreou-se na televisão em 2008, com a série Being Human, contudo só em 2016 conseguiu alcançar o reconhecimento merecido, graças ao papel de Rainha Isabel II que já a fez levar para casa um SAG Award e um Globo de Ouro.

Depois do sucesso da primeira temporada, falámos com a atriz principal da série The Crown.

 

ELLE: É inglesa. Por isso qual foi a importância deste papel para si?

CLAIRE FOY: Sinceramente, não sei… Acho que foi importante para mim não me sentir intimidada pela presença constante que a Rainha teve na minha vida enquanto crescia. De certa forma tive de esquecer tudo o que sabia sobre ela. Tentei não tratar a história com demasiada reverência e tentei olhar para ela de forma isenta. Para conseguir desempenhar o papel, tive de separar o argumento da série da minha imagem da família real.

O medo iria limitá-la…

Exatamente. Não é para ser uma imitação, mas sim a minha interpretação de uma mulher. E isso foi o que tentei fazer. O meu objetivo não era soar exatamente como ela ou mexer-me exatamente como ela. Queria sim ser honesta e representar emoções reais, que para mim é aquilo que é fundamental em qualquer papel.
A primeira temporada foca-se nos primeiros 10 anos do reinado da Rainha. O que descobriu sobre ela?

Para mim, agora, a Rainha é uma mulher de 90 anos. Tal como os nossos avós, é como se tivesse sempre tido aquela idade (risos). Por isso nunca tinha pensado nela quando tinha 25 anos e era uma jovem mãe de duas crianças, que julgava que teria ainda 30 anos de uma vida normal com o marido, que veria os filhos crescer e só depois enfrentaria a tarefa da governação. Nunca tinha pensado no impacto que a morte do pai (o rei Jorge VI), que tanto amava e respeitava, teve nela, na família e no país. No choque de ser aos 25 anos a chefe de Estado. Nunca tinha pensado em nada disso, ou em como a tinha afetado enquanto pessoa. Hoje admiro-a ainda mais, sobretudo pela forma como sobreviveu a tudo com tanta elegância.
Mudou a sua opinião sobre ela?

Não mudou, porque acho que não tinha uma, essa é a terrível verdade. Nunca tinha pensado sobre isso. E acho que a maioria das pessoas também nunca o fez. Especialmente porque tendemos a olhar para as nossas instituições como garantidas. Por isso, para mim foi um sinal de alerta que tinha de olhar para elas de forma diferente, a um nível mais pessoal e mais humano.
Não é a primeira vez que interpreta a Realeza. Antes de ser a Rainha Isabel II em The Crown, já tinha sido Ana Bolena em Wolf Hall. Pela sua experiência como é que é ser realeza?
No caso de Ana Bolena, ela estava completamente sujeita ao Rei (Henrique VIII), às suas vontades e desejos, claramente como a sua morte acabou por provar. E o país era muito diferente na altura. No caso da Rainha Isabel II, o país já não é o mesmo, nem o poder que detém. Mas, no geral, julgo que toda a gente tem uma ideia ficcionada de como é tão magnífico ser parte da Realeza, mas em última análise a verdade acaba por ser sempre muito diferente dessa ideia.

Sei que adora cinema desde sempre e que antes de decidir que seria atriz, estudou cinematografia..

Sim, na altura decidi que era isso que seria, sem perceber que implicava ter muito talento natural. Que eu não tinha (risos). Mas sempre me interessei muito pela luz e pela imagem. E ainda hoje me interesso. Mas naquela altura em particular nunca tinha pensado que poderia ser atriz. Sabia que queria estar envolvida neste meio, mas não sabia como o faria ou de que forma.
Voltando à série, para terminar: a Coroa é pesada? Literal e metaforicamente falando.

Sim! Literalmente falando, é muito pesada. E esta não é a verdadeira, por isso nem consigo imaginar como será essa. Metaforicamente falando, acho que quando a coroação acontece para ela é um momento de unificação com Deus e julgo que isso solidificou o seu papel na terra. Inesperadamente acho que se sente menos sozinha e assustada quando tem a coroa.

 

 

Entrevista originalmente publicada na ELLE de dezembro de 2016.