Entrámos no Mundo da Alta Perfumaria da Louis Vuitton

A Louis Vuitton apresenta um novo aroma inspirado no momento em que o sol nasce. Falámos com o perfumista. Por: Carolina Adães Pereira -- Imagens: © D. R.

O ano de 2016 foi marcante para a Louis Vuitton. Ao fim de 70 anos, a casa francesa fez o seu primeiro lançamento de perfumaria com uma coleção de sete fragrâncias. Havia uma certa atmosfera de superstição a pairar no ar, com a presença do número sete e tudo o que lhe é associado. Mas havia também a certeza de que este regresso à perfumaria seria mediático, não só pela marca que é e por serem sete perfumes diferentes de uma só vez, mas também por ter o perfumista Jacques Cavallier Belletrud como mastermind.

De volta ao momento presente. Os músicos dizem que a pressão de fazer o segundo álbum é terrível. Não só por ser o sucessor de um lançamento de sucesso, mas pelas circunstâncias em que está envolvido: a atenção, a antecipação, as expectativas. Um paralelismo que se pode fazer com a nova criação aromática da Louis Vuitton. Por ser o segundo lançamento desta nova era da perfumaria da Maison sim, mas também porque, ao contrário do seu antecessor, este lançamento concentra todas as atenções num só eau de parfum, chamado Le Jour Se Lève.

Inspirado pelo momento em que o sol nasce logo pela manhã, Cavallier Belletrud tinha como objetivo principal para este perfume «explorar a frescura matinal sem pressa, dar-lhe volume, mas suavemente. Logo de manhã, quando se pulveriza perfume na pele, esse primeiro instante é tão íntimo entre você e o perfume, tão único», explica o mestre-perfumista. «Fiz questão de sentir o aroma na minha esposa e nas minhas filhas. Todos os dias estou atento às reações das pessoas quando cheiram a fragrância na minha mulher ou mesmo a minha reação quando sou surpreendido com o aroma. Num mundo onde toda a gente quer tudo muito rápido, fazer as coisas com tempo é uma das definições de luxo,» acrescenta.

O aroma doce e familiar da tangerina

De todas as notas, há uma que se destaca pelo aroma doce e familiar que evoca: a tangerina. É esta frescura cítrica, tão diferente do limão, bergamota ou laranja, que torna o Le Jour Se Lève tão distintivo e complexo. «Também me desperta lembranças de infância porque todos comíamos tangerinas quando era criança,» lembra Cavallier Belletrud. «Eu estava à procura deste aroma mais frutado para Le Jour Se Lève. O lado mais floral da tangerina faz com que a frescura dure muito mais na pele», refere o mestre-perfumista da Vuitton.

Não não foi só a infância que serviu de inspiração ao perfumista. Aliás, com a missão de fazer renascer a perfumaria da Maison, Jacques Cavallier Belletrud teve a responsabilidade redobrada de não deixar a história e tradição Vuitton cair no esquecimento. Esse pensamento esteve sempre presente no processo da criação desta fragrância, como acontece, aliás, com outros perfumes. Quando perguntámos se tinha alguma inspiração especial para o Le Jour Se Lève, respondeu muito prontamente: «a inspiração vem da Louis Vuitton, da filosofia da Maison, daquilo que eu quero criar para mim. Acredito que a inspiração vem de todos os lados». Esses lados incluem Grasse, onde se situa Les Fontaines Parfumées, o atelier de Cavallier Belletrud, e toda a área envolvente. «Lembro-me de uma manhã específica, em minha casa em Cabris, perto de Grasse. O tempo e a luz estavam perfeitos. Os aromas à minha volta eram muito verdes. Conseguia cheirar as folhas, a relva… Mas como o sol não estava muito alto, os aromas mais pesados da terra, especiarias ou flores não se faziam sentir, não sobressaiam. Gostei muito do que consegui sentir no ar, da frescura», recorda o mestre-perfumista. «Foi este amanhecer tão especial em minha casa que me inspirou e conduziu à criação desta fragrância,» afirma.

Para terminar, pedimos a Jacques Cavallier Belletrud que indicasse a palavra que, na sua opinião, melhor descreve este novo lançamento. O mestre-perfumista não conseguiu limitar-se a uma só palavra e elegeu três: positividade, otimismo e alegria. Porquê essas palavras? «Estamos a viver num mundo onde precisamos de vibrações alegres e positivas. É por isso que queria criar uma fragrância que nos fizesse sentir bem, com uma composição otimista. Acredito sinceramente que um perfume nos pode fazer sentir melhor».

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de maio de 2018.