Chris Evert Relembra As Mulheres no Desporto «Não São Segunda Classe»

Como a menina pequenina de Fort Lauderdale, Florida, marcou a história do ténis feminino. Imagens: © D.R.

Depois de quase uma década nos campos, Chris Evert perdeu uma partida de ténis contra um dos melhores tenistas do mundo em 1968. Como a maioria dos adolescentes – Evert tinha 13 anos na altura – ela tornou-se um pouco competitiva. Ela queria deitar a baixo o jogador número um do mundo antes de fazer 16 anos.

Muitos sabem que a atleta americana passou para se tornar uma das melhores jogadores de ténis do mundo. Mas para além de liderar o número um do ranking durante sete anos, Evert foi a primeira mulher atleta a ganhar 1 milhão de dólares, a primeira mulher atleta a apresentar o Saturday Night Live e o seu recorde (1,309 partidas ganhas e 146 derrotas) tornam-na a melhor da história profissional do ténis, colocando a história de Evert’s entre aquelas que ajudaram a mudar a narrativa da história das mulheres no desporto.

Nada na sua carreira é discreto. O seu domínio absoluto é ainda mais memorável quando a ouvimos descrever-se a si própria quando era mais jovem: «Eu não era nada de especial, atleticamente. Acreditem.» A mensagem que ela quer que a nova geração de atletas femininas ouça? «Tu não tens de ser a mais forte, tu não tens de ser a mais rápida.» ela diz «Eu fiz acontecer porque eu tinha uma mentalidade forte, e eu trabalhei arduamente. Qualquer um pode ser um campeão.»

 

Ao aprender o jogo com cinco anos de idade:

«Eu tinha cinco anos quando peguei na minha primeira raquete. O meu pai pô-la nas minhas mãos porque ele estava a ensinar ténis profissional na altura. Foi ele que me levou a mim e às outras cinco crianças da família a começar. No início, eu estava receosa: Ele tinha-me tirado da casa da minha amiga – onde eu ia nadar e aos barbecues – para o Holiday Park, um campo de ténis publico, e começou a atirar bolas contra mim. Eu estava muito chateada.»

 

Ao desenvolver uma veia competitiva:

«Todas as crianças da família são muito talentosas. Era apenas uma questão que alguns eram mais sociáveis do que eu e alguns deles serem mais estudiosos do que eu, então eles não dedicaram 100% das suas vidas ao ténis. Eu fui a única que fiz isso. E eu era uma perfeccionista – eu não gostava de perder. Quanto mais eu competia, mais entusiasmada eu ficava.»

 

Ao aperceber-se que devia tornar-se profissional:

«Quando eu tinha 13 anos, eu joguei num torneio profissional e eu perdi nas semi finais contra uma mulher, que era a número 10 do ranking mundial. Eu perdi três sets e ganhei um, e eu lembrou-me de pensar, eu tenho 13 e isso não foi assim tão difícil. Foi ali que a semente foi plantada.»

 

 

No seu momento de rotura:

«Eu tinha 15 quando o mundo começou a perceber que havia uma menina em Ft. Lauderdale, Florida, e ela tinha vencido o jogador número um do mundo. Toda a gente começou a prestar-me mais atenção – jogadores que eu também seguia. Eles eram os meus ídolos quando eu estava a crescer. Foi ai que eu soube que tinha chegado.»

 

NÓS ESTÁVAMOS A LUTAR PELAS MULHERES NO TÉNIS E POR DIREITOS IGUAIS. ERA UMA MISSÃO PARTILHADA. NÓS TÍNHAMOS DE TER TODA A GENTE NA MESMA PÁGINA SE QUERÍAMOS DISPARAR PARA AS ESTRELAS.

 

Ao lidar com o escrutínio dos media sendo uma jovem atleta:

«Sempre que você transmite uma imagem, as pessoas colocam-te numa categoria e esperam que te comportes de acordo com ela. Durante os meus anos de adolescente, eu era calma e tímida, por isso eu não me ia tornar conflituosa e desagradável. Os media chamavam-me Little Miss Icicle, ou Little Miss Ice Maiden porque eu não mostrava as minhas emoções no campo. Por isso onde quer que eu fosse, eu era a Little Miss Ice Maiden. Isto atrapalha um pouco o teu crescimento quando és nova. Isto acontece imenso às pessoas que são novas e famosas. Não é um ambiente nada saudável.»

 

Como ela atingiu no ténis o melhor recorde de partidas vencidas e perdidas:

«Eu nunca celebrei vitórias. Eu ganhei um torneio e eu ficava feliz, ia jantar. Mas no dia seguinte era apenas mais um dia. Eu ia de Wimbledon para Seattle, Washington, e eu jogava num torneio pequeno, mas eu punha a mesma atitude em Seattle que punha em Wimbledon. Eu apenas focava-me no que estava a fazer no momento.»

 

EU VI GRANDES MUDANÇAS. AS MULHERES QUE JOGAM TÉNIS ESTÃO A RECEBER O MESMO DINHEIRO E ESTAMOS A SER TRATADAS COM GRANDE COMODIDADE. JÁ NÃO SOMOS SEGUNDA CLASSE.

 

Na camaradagem entre as jogadoras femininas:

«Nós tínhamos uma frente unida porque nós estávamos a lutar pelas mulheres no ténis e pela igualdade de direitos. Por isso nós formamos boas relações e amizades. Era uma missão partilhada e nós tínhamos de nos manter unidas. Nós tínhamos de estar todas na mesma página se nós queríamos disparar contra as estrelas.»

 

Ao ver a evolução do desporto:

«Nos anos 70, as jogadoras femininas de ténis estavam a receber menos 10% do que os homens em termos salariais e agora estamos a receber o mesmo. Duas mulheres saíram do campo quando descobriram que elas ganhavam 1.500 dólares e os jogadores masculinos recebiam 15 mil dólares. Eu tinha 14 ou 15 anos quando eu li sobre o assunto e pensei, Ela é muito corajosa por sair do campo. Eu nem pisquei os olhos sobre a existência de desigualdade. Eu já vi grandes mudanças desde essa altura. Nós estamos a receber o mesmo nos torneios Grand Slam e nós estamos a ser tratadas com grande comodidade. Já não somos segunda classe.»

Sobre juntar-se à família Rolex:

«Eu sinto-me honrada por fazer parte de uma elite de campeões. Quando eu penso na Rolex, eles têm as mesmas caraterísticas dos campeões: atemporalidade, versatilidade, integridade e elegância. É perfeição. Eu sei que é especial fazer parte do grupo.»

 

Sobre a sua maior conquista fora do campo de ténis:

«Fora do campo, foi ter filhos – vocês sabem, os meus meninos. Quando eu estava cansada, o meu objetivo era apenas ter filhos. Eu acho que isso foi uma conquista e um desafio ao mesmo tempo.»

 

Sobre atingir o primeiro lugar na sua carreira:

«Apenas te motiva a conseguir mais. Acabas por te tornar ganancioso e não queres parar ali. Quando tu fazes algo muito bem, tu aprecias isso, e tu queres continuar a fazê-lo. Porque não? É uma vida excelente.»