Festival de Cannes: Atriz Libanesa Protesta Contra os Ataques em Gaza

Houve também uma homenagem aos 60 palestinianos mortos pelo exército israelita nesta segunda-feira. Por: Inês Aparício -- Imagem: © GTRESONLINE.

O Festival de Cinema de Cannes tem sido palco de vários protestos: primeiro, 82 atrizes juntaram-se na passadeira vermelha do festival de cinema contra a desigualdade salarial entre géneros na indústria cinematográfica, depois Kristen Stewart descalçou-se numa (alegada) manifestação contra o dress code restrito do festival. Agora, foi a vez de uma atriz libanesa chamar atenção para o que se está a passar na Faixa de Gaza.

Na estreia do filme Solo: A Star Wars Story, Manal Issa segurava um cartaz onde estavam escritas as palavras «Stop the Attack on Gaza» (em português, «Parem os ataques em Gaza»), numa alusão à situação ocorrida nas imediações da barreira que divide a Faixa de Gaza e o Estado hebraico, onde o exército israelita matou, pelo menos, 60 manifestantes palestinianos, nesta segunda-feira.

Também a produtora palestiniana Annemarie Jacir fez questão de relembrar o caso em Cannes, juntando-se a outros atores, realizadores e diretores artísticos, dos quais se destacavam Benicio Del Toro e May Odeh. O grupo fez um círculo, de mãos dadas e manteve-se em silêncio durante um minuto, numa homenagem às vítimas dos protestos em Gaza.

O realizador palestiniano May Odeh, admitiu ao The National que é difícil aproveitar o festival, sabendo das contínuas mortes de palestinianos em Gaza. «É muito estranho estar aqui com os filmes, com os produtores, a falar sobre os nossos planos futuros, enquanto as nossas crianças e familiares estão a sofrer por causa do ataque de Israel».

Esta chamada de atenção para a situação que está atualmente a acontecer na Faixa de Gaza, surge no primeiro ano em que os palestinianos têm o seu próprio espaço no festival, onde vários países marcam presença para promover as suas indústrias de cinema. Ao jornal dos Emirados Árabes Unidos, o ministro da cultura palestiniano Ihab Bseiso sublinhou o timing de ambas as situações. «Enquanto estamos a representar a Palestina pela primeira vez no Festival de Cinema de Cannes, recebemos as más notícias que chegam da Palestina, onde mais de 60 pessoas perderam as suas vidas. Enquanto estamos a falar de histórias, nós temos mais de 60 histórias que precisam de ser investigadas em Gaza».