Vídeo da Alegada Violação Terá Surgido em Grupo «Só Para Homens»

O vídeo da jovem em autocarro no Porto terá sido partilhado em grupo secreto “só para homens” no Facebook. Por: Joana Moreira -- Imagem: © GTRESONLINE

É o caso que está na agenda mediática, o da jovem a sofrer supostos abusos num autocarro da STCP, na viagem de volta da Queima das Fitas do Porto. A PSP já identificou a vítima, que até agora não apresentou queixa. Mas já há pistas sobre o que pode ter despoletado a partilha do vídeo do sucedido.

O grupo «IAMSOLDIER», «sou um soldado», em português, terá sido o primeiro sítio onde as imagens surgiram de acordo com a informação avançada pelo Observador. Segundo o jornal online, o grupo é «secreto» no Facebook. No entanto, há um grupo «fechado» com o mesmo nome e cujo objetivo é o mesmo, ou seja, partilhar conteúdos sexualmente explícitos. O grupo visível na rede social tem na descrição: «Novo grupo tropa, dedicado só aos homens já que denunciaram o outro nós voltamos ainda com mais força, juntos no combate aos inimigos camaradas!!»

O IAMSOLDIER conta, até à data de publicação deste artigo, com cerca de 48 mil membros, exclusivamente do sexo masculino e o número tem crescido nas últimas horas. A Elle teve acesso a alguns dos posts mais recentes e muitos são os novos membros que agradecem por terem sido incluídos no grupo. «Vídeo da gaja de Braga, alguém??», pode ler-se numa publicação feita hoje. 

Este será uma réplica do grupo original – esse sim, secreto e por isso impossível de encontrar no facebook não sendo membro. Ainda assim, também neste estão fotografias e vídeos de conteúdo sexualmente explícito e fotografias de rua captadas sem o consentimento das intervenientes.

Depois de, em novembro, o Eurobarómetro da Comissão Europeia ter revelado que 29% dos portugueses acham que sexo sem consentimento pode ser justificado, esta é mais uma confirmação da misoginia enraizada. Dos inquiridos, 19% defendiam que o ato era justificável se a vítima estivesse alcoolizada ou drogada. E 15% desculpavam uma violação se a mulher fosse voluntariamente para casa com alguém, depois de uma festa ou de um encontro, por exemplo. Números chocantes e que provam que, no que à igualdade de género diz respeito, ainda há um longo caminho a percorrer.