Mesquita Nunes Fala da Sua Homossexualidade: «Não é Nenhum Segredo»

Em entrevista ao Expresso, o vice-presidente do CDS falou daquilo que garante não ser uma «revelação». Por: Joana Moreira -- Imagens: © D: R.

Podia ser apenas mais um dia no parque, um detalhe. Mas em Portugal e no universo político, as afirmações recentes de Mesquita Nunes estão a ser tomadas como um ato corajoso. O vice-presidente do CDS assumiu a homossexualidade, numa entrevista da edição deste sábado do jornal Expresso.

«Não me ocorre esconder esse assunto num contexto como este», justificou. No contexto [uma entrevista de vida] o ex-secretário de estado do Turismo do governo PSD/CDS desvaloriza o caráter de «revelação»: «É algo que faz parte de mim e com que convivo perfeitamente e com naturalidade».

«Em junho, escreveram gay num cartaz meu que estava num cruzamento muito movimentado. (…) Pedi que não o substituíssem porque não era mentira. Se alguém da minha equipa achasse que isto era um problema, que saísse. Ninguém saiu. E o cartaz lá ficou quatro meses. Passei por ele centenas de vezes e nunca me arrependi de o não ter tirado», descreveu ao semanário. O episódio, passado durante a sua campanha eleitoral na Covilhã, foi mesmo tema num comício, perante mais de 400 pessoas, em 2017. O centrista terá dito que se fosse uma «calúnia» o mandaria retirar. Mas, como era verdade, não o faria. Apesar disso, perante a multidão e a comunicação social, o caso foi desvalorizado.

Reações: de Assunção Cristas a Graça Fonseca 

Uma das principais reações à revelação do dirigente centrista foi precisamente a da líder do CDS. Assunção Cristas elogiou ontem, em declarações ao Expresso, a atitude de Mesquita Nunes. «Sabia que o Adolfo daria a entrevista, como soube dos ataques pessoais de que foi alvo na campanha na Covilhã. O Adolfo sempre contou e conta com o meu apoio», disse. Cristas ressalvou a «admiração e respeito» pelo vice-presidente do partido e gabou-lhe a «coragem e retitude».

Na direita, Carlos Moedas foi dos poucos a reagir. O comissário europeu usou o Twitter para partilhar a entrevista. «Um bom amigo e um grande político. Frontalidade, talento e honestidade: um dos melhores políticos da sua geração», escreveu.

Também Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, e a primeira governante a assumir a homossexualidade, não deixou de saudar Mesquita Nunes. Fonseca tinha falado sobre a sua orientação sexual em agosto, numa entrevista ao DN, onde classificou a sua afirmação como «completamente política». Agora, no Twitter, a governante do PS aplaudiu a atitude do dirigente do CDS, que, acredita, contribuiu para «normalizar» a homossexualidade. «Bravo Adolfo!», escreveu.

Ainda na esquerda, no BE não faltaram vozes de encorajamento. Pedro Filipe Soares e Luís Monteiro também recorreram às redes sociais para congratular a atitude do centrista. O líder parlamentar escreveu no Twitter: «Debati muitas vezes com o Adolfo e muitas vezes discordei dele. Hoje, dou-lhe valor pela coragem que teve #respect». Já o deputado mais novo do Parlamento usou o Facebook para o fazer: «Fico irritado quando se desvaloriza uma atitude porque não gostamos/concordamos com essa pessoa. Não mudei de ideias quanto ao posicionamento do Adolfo Mesquita Nunes – continua a ser um adversário político para combater – mas nada me impede (até moralmente) de louvar a sua coragem ao assumir a sua orientação sexual. Não é preciso fazer de uma pétala um arranjo de flores, também não vale a pena empenharmo-nos para tornar o colorido em cinza rato».