Tudo o Que Aconteceu na Cerimónia dos Globos de Ouro 2018

A noite foi indubitavelmente das mulheres, vestidas de luto em sinal de protesto. Por: Joana Moreira -- Imagens: © Gtresonline

Preparou as mantas, os snacks, o aquecedor e escolheu o melhor spot no sofá para uma madrugada intensa de Globos de Ouro, mas, às 2h da manhã, os únicos prémios que via era nos seus sonhos. Se adormeceu e perdeu mais de metade da cerimónia – é compreensível, a diferença horária entre Hollywood e Portugal faz com que o programa termine por volta das 4 da manhã -, nada tema. Abaixo, contamos-lhe tudo o que precisa de saber sobre a 75ª edição dos Golden Globes.

A passadeira negra

A red carpet de vermelho pouco tinha, já que o preto praticamente pintou a passadeira. (Quase) todas as mulheres – e homens – envergaram a cor como símbolo de apoio ao Time’s Up, um movimento lançado por mais de 300 atrizes, argumentistas, realizadoras e outras personalidades do cinema e criado para apoiar a luta contra o assédio sexual no trabalho nos Estados Unidos.

O dress code era o preto total e foi cumprido por atrizes como Meryl Streep, Reese Witherspoon ou Kerry Washington em vestidos de Vera Wang, Zac Posen e Prabal Gurung, respetivamente.

Debra Messing puxa orelhas ao E! por disparidade salarial

Debra Messing (bem como, mais tarde, Eva Longoria e Sarah Jessica Parker) não se coibiu de confrontar a apresentadora do canal sobre o assunto: «O tempo é agora. Queremos diversidade, queremos paridade de género interseccional, queremos igualdade de salários. Eu fiquei tão chocada em ouvir que o E! não acredita em pagar o mesmo às suas apresentadoras e aos apresentadores. Tenho saudades da Catt Sadler. E isto são coisas que podem mudar, amanhã. Nós queremos que as pessoas falem sobre isto, porque as mulheres são tão valiosas quanto os homens», disse.

 

O monólogo de Seth Meyers

São tempos sensíveis em Hollywood e ter um homem a dirigir a cerimónia e responsável pela parte cómica da noite não caiu bem para todos. Seth Meyers soube contornar todas as adversidades e jogou pelo seguro, com piadas sobre Weinstein e as desigualdades que persistem na indústria – em mais uma prova que é possível encontrar comédia na tragédia.

Reconhecendo o seu privilégio enquanto homem caucasiano, Seth repetiu fórmulas de sucesso do seu programa e distanciou-se dos assuntos dos quais reconhece o dever de não ser o protagonista.

(high five virtual)

Amy Poehler e o mansplaining 

Para os que ainda não estão familiarizados com o termo mansplaining, Amy Poehler explica. Resumindo a definição do termo em poucas palavras, Amy puxou o assunto quando o apresentador procurou usá-la para rematar uma das suas piadas. O riso da audiência foi geral e tornou Poehler uma das heroínas da noite. Além disso, foi um pequeno e saudosista throwback aos Globos de Ouro 2015, em que a comediante apresentou a cerimónia ao lado de Tina Fey.

O discurso de Oprah

Seth Meyers brincou com o facto de Cecil B. DeMille ter a honra de homenagear Oprah. Se há algo que ficou evidente ontem à noite foi que o carinho pela apresentadora é um sentimento partilhado transversalmente na indústria cinematográfica. A atribuição do reconhecimento foi ainda mais especial uma vez que foi a primeira vez que uma mulher negra recebeu o prémio de carreira Cecil B. DeMille.

A cereja no topo do bolo? O discurso de Oprah, inspirador, motivador e empoderado, que certamente ficará para a história como eterna referência.

Natalie Portman a falar do «elefante na sala»

Agora sabemos que, em momentos de desconforto, podemos contar com Natalie Portman para falar sobre «o elefante na sala». Perante a categoria de melhor realizador – que não contemplava nenhuma mulher – a atriz frisou o facto, o que provocou a gargalhada imediata do seu colega (e do público). O que se seguiu foi um conjunto de close ups dos nomeados com expressões desconfortáveis. Awkward.

Sterling Brown a fazer história 

Foi mais um marco histórico. Sterling Brown tornou-se o primeiro ator negro a ganhar uma das categorias principais. O ator venceu a categoria de Melhor Ator numa série dramática graças a This Is Us e subiu ao palco onde agradeceu ao criador da série, Dan Fogelman, por criar especificamente o papel de Randall Pearson para um homem negro.

Ah, e, claro, mencionou a Oprah. Como não?

Guillermo del Toro: «baixem a música»

À medida que o show ia avançando, o tempo ia encurtando e o resultado era o inevitável corte de discursos. Razoável? Não para Guillermo del Toro. O realizador mexicano ainda mal tinha começado o seu discurso de vitória por A Forma da Água quando a música que anuncia o final do seu tempo começou. «Baixem a música», disse. «Levei 25 anos a chegar aqui, dêm-me um minuto», disse.

As palavras sábias de Frances McDormand