Cinco Criadores Nacionais Elegem a Palavra Chave deste Inverno

Estes são os conceitos com os quais se vai coser a estação fria. Por: Lígia Gonçalves -- Imagens: © Ugo Camera, Rui Vasco, Tomás Monteiro e Nian Canard.

Pedimos a Alexandra Moura, Luís Carvalho, Pedro Pedro, Hugo Costa e Nuno Baltazar que definissem o próximo outono-inverno. Entre tecidos e uma atitude de ser que não se deixa coagir por pressões externas, estas são as palavras que tem de memorizar.

Alexandra Moura
LIBERDADE
«Liberdade de usar, de misturar, de sobrepor, de trocar, de acrescentar, de ser o que se quiser. Liberdade de unir diferentes conceitos, diferentes padrões e cores, épocas e culturas. Liberdade de se interpretar e de usar diferentes referências. Liberdade para se ser único na sua essência, na forma de se comunicar. Liberdade, simplesmente, para ser.»

Luís Carvalho
TEXTURAS
«Já vem sendo um traço no meu trabalho, o uso de texturas, estruturas e a exploração das formas. Inevitavelmente, no outono-inverno, as texturas estão sempre mais presentes, quer seja pelo uso de mais camadas de roupa ou pela necessidade de criar mais proteção, há uma maior exploração de tecidos robustos, pesados e quentes.»

Hugo Costa
EXPLORAÇÃO
«Tal como na coleção, em que as viagens do explorador ártico Roald Amundsen serviram de ponto de partida, estabelecendo uma metáfora entre a exploração física e a necessidade de descoberta e de novidade do ser humano, achamos que o inverno pode ser o momento indicado para a exploração e descoberta da individualidade estética de cada um. O momento indicado para experimentar novas formas, cores, volumes ou texturas, de forma a criar uma imagem cada vez mais autêntica.»

Nuno Baltazar
THE END OF SEASONS
«Cada vez mais, quer pela indústria quer até pelas condicionantes climatéricas, as estações deixam se ser como as conhecemos até aqui. Na verdade já vivemos isso diariamente mas resistimos a essa mudança. Misturar as estações ou as suas coleções é fundamental. Abrigos, casacos ou até calças mais quentes coexistem com tops mais frescos, leves e descomprometidos.»

Pedro Pedro
TRANSGRESSIVO
«Porque esta coleção ultrapassa os limites. É para uma mulher que não resiste ao ímpeto de ir mais além. De quebrar barreiras e estereótipos. Este corte com as normas pré-estabelecidas, esta desobediência é uma virtude da criatividade.»

 

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de setembro de 2017.