Porque É Que o Casaco 101801 É a Peça Mais Icónica da Max Mara

Cabem vidas inteiras neste casaco Max Mara, por onde não passa nem o frio, nem o tempo. Por: Lígia Gonçalves -- Imagens: © Martine Barrat (1) - Valery Katsuba, Albatross (1) - William Wegman (1) - Mangiola (1) - Roxanne Lowit (3) - Max Mara (1) - D.R. (4)

Conforto: «nome masculino; ato ou efeito de confortar; comodidade; bem-estar». Elegância: «nome feminino, boa proporção ou harmonia de formas; graça; requinte; refinamento, subtileza; bom gosto no vestir; delicadeza». Duas definições, do dicionário da Porto Editora, bastariam para resumir em pouco tempo o casaco 101801 da Max Mara. Mas o tempo deste texto não se quer de síntese. Quer-se maior, à medida da história e sobretudo da aura de uma peça à qual se cola também o mais lisonjeiro dos adjetivos quando o assunto é moda: intemporal («adjetivo de dois géneros; que está para além do tempo; eterno; invariável»).

E se uma peça de roupa passa a perna ao tempo significa que concretizou na plenitude o significado das duas palavras que deram início a este texto. Afinal, do lado do conforto é essencial que o queiramos vestir, e nunca despir. E do lado da elegância é fundamental que não se restrinja a códigos de época.

Em lã e caxemira, assertoado, com mangas estilo quimono, proporções perfeitas, e banhado a camel, o 101801 não deixa dúvidas. E não as deixa desde 1981, ano em que entrou nas nossas vidas pela mão da incontornável designer francesa Anne-Marie Beretta.

A criação do mito

Mas, como poderia? De body preto colado ao corpo, óculos de sol retangulares, cigarro na mão e com o 101801 a cair-lhe despretensiosamente dos ombros, a atriz e eterna beleza italiana Alba Clemente diz-nos que não há espaço para elas. O mesmo diz Cindy Lauper, de vestido preto e meias de rede, que sorri, enquanto o marido, David Thornton, a abraça e protege com um 101801. Ann Reinking assina por baixo enquanto lhe dá corpo de artista à porta de um camarim. E Susan Jaffe, prima ballerina do American Ballet Theatre durante 22 anos, reforça a teoria enquanto alonga, num qualquer estúdio em Nova Iorque, e confirma que não há motivo para que sapatilhas de ballet e um 101801 não combinem.

Não há como não ser absorvida pela mística dessas mulheres, todas tão distintas, e todas tão envoltas nesse casaco maior que o próprio tempo. Não há como não querer um pedaço dessa história, uma fatia desse glamour, um recorte dessa felicidade, um laivo dessa delicadeza, um rasgo dessa atitude. Não há como não querer a envolvência dessa peça que podia ter direito a um filme próprio, com título e enredo inspirados num dos maiores clássicos do cinema: um casaco chamado desejo.

Como ícone que é, o 101801 já foi reinventado por fotógrafos em imagens que só contibuíram para aumentar o seu allure, e já viajou pelo mundo, não só em corpos de inúmeras mulheres, mas também a propósito da exposição Coats!, comissionada pela marca, e cuja última paragem aconteceu em Seoul, entre novembro e dezembro de 2017, no Dongdaemun Design Plaza, idealizado por Zaha Hadid, nome fundamental da arquitetura moderna. Como ícone que é, o 101801 é passado, presente e futuro.