Dino Alves Encerrou a ModaLisboa Com Crítica às Redes Sociais

O designer procurou mostrar que, por vezes, nem tudo que parece é. Por: Vítor Rodrigues Machado -- Imagem: © Ugo Camera.

Cinco edições depois de nos ter levado até ao Teatro São Luiz para conhecermos a sua coleção de primavera-verão 2016, com o desfile que encerrou essa edição da ModaLisboa, Dino Alves voltou a ser o responsável por fechar mais uma edição do evento.

Com a coleção intitulada «A Outra Verdade», o designer quis tecer uma crítica ao facto de, num mundo onde as redes sociais têm um papel tão importante, procurarmos sempre mostrar um lado perfeito (e obviamente inexistente). Como confirmou à ELLE, em entrevista, esta coleção aborda «um bocadinho da vida real, que é outra coisa que não aquela que grande parte das pessoas mostram».

 

A coleção

Com este título, e esta inspiração, não se podia esperar nada menos do que uma coleção repleta de dicotomias e contrassensos. No tecido, isso traduziu-se em peças com assimetrias, aparentemente incorretas, onde os painéis dos moldes surgem alterados e com diferentes aplicações dando lugar a capas e camisolas onde é aplicada apenas uma manga. Quem também surge alterada é a linha de cintura, que em vestidos e saias, sobe e desce para criar esse efeito de desproporção e imperfeição.

Apesar de se tratar de uma linha de inverno, Dino Alves optou por não utilizar apenas uma paleta composta por tons escuros, como é costume para esta altura do ano. Em vez disso decidiu aquecer a estação fria com cores como o laranja, o rosa, o azul, castanho claro, e ainda acrescentar-lhe um padrão xadrez onde o azul turquesa e o terracota se combinam.

 

O Cenário

Apesar de por vezes nos distrair daquilo que acontecia na passarelle, uma das grandes surpresas do desfile estava relacionada com o cenário. Ou, se preferir, com a sua desconstrução. Isto porque enquanto as modelos percorriam a sala de desfiles com a coleção do criador para o outono-inverno 2018/19, o chão da passerelle era arrancado, e as paredes do cenário removidas por elementos da produção.

Como nos revelou o designer esta «mise en scène» serviu para «sublinhar às pessoas que existe uma outra verdade para além daquela que as pessoas vêem num desfile».