Andreja Pejić: «As Empresas Perceberam que a Diversidade Dá Lucro»

A modelo falou dos desafios que ser uma modelo transgénero implica. Por: Joana Moreira -- Imagens: © Gtresonline

Num vestido curto e um blazer oversized, entra na sala e não passa despercebida: é de uma modelo que se trata, não há dúvidas. Nos últimos anos, Andreja Pejić tornou-se um nome – e o um rosto – estabelecido na indústria da Moda, com uma carreira que começou enquanto modelo andrógino e migrou para uma categoria que dispensa rótulos ou definições.

Durante a conferência Beauty in a Ugly Game, esta quinta-feira, durante a Web Summit, a modelo falou da importância da representatividade, não sem deixar farpas à forma como as marcas começam a olhar para a diferença.

«Muitas empresas estão agora a perceber que a diversidade dá lucro. É por isso que se está a tornar mainstream», diz, explicando que, ainda assim, «se consegue ver bem quando uma marca está a ser autêntica ou a entrar na ‘onda da diversidade’».

Pejić acredita que as intenções nem sempre são as melhores: «sinto que, às vezes, muito do trabalho que consigo parece uma doação de caridade. Do género ‘vamos trazer uma pessoa transgénero para mostrar quão progressivos somos».

A modelo, que nasceu na antiga Jugoslávia, explica que, tal como em qualquer outra pessoa, quer ser valorizada pelo seu «trabalho e talento», algo que acaba por ser «ignorado» se for diferente, «se não entrar numa determinada caixa».

Sobre a mudança na indústria 

«Não é física quântica, é simplesmente olhar para as pessoas pelo que elas são», começa. Apesar de já ter uma carreira enquanto modelo andrógino, a sua vida profissional sofreu um abalo num momento crucial. «Há três anos, quando me assumi enquanto mulher publicamente, fui abandonada pela minha agência». Agora está com a Ford. Discretamente, a moderadora da conferência ri-se. Não é para menos, já que a Ford é uma das maiores agências do mundo.

Mas, e apesar dos sinais de mudança, Andreja Pejić acredita que ainda há muito caminho a percorrer. «Adorava ver uma modelo trasngénero na capa da Vogue americana. Não por ser trans, mas porque merece. Ou fazer [o desfile da] Victoria’s Secret, algo muito mainstream como isso. Porque acho que a Moda tem esse significado cultural e um papel a cumprir, não é só sobre vender roupa.»