Lupita Nyong’o Acusa Revista de Apagar Parte do Seu Cabelo

A atriz partilhou na sua página de Instagram a imagem do antes e depois. Por: Vítor Rodrigues Machado -- Imagem: © GTRESONLINE.

Ainda que o uso de Photoshop tenha diminuído entre marcas, publicações de moda e até agências, a sua utilização, sem consentimento do retratado, para editar feições ou traços característicos continua ainda demasiado presente. O caso mais recente: a última capa da Grazia britânica, com Lupita Nyong’o, na qual parte do cabelo da atriz desapareceu.

Assim que Nyong’o viu a capa com a imagem alterada, recorreu ao Instagram para denunciar a situação, publicando uma imagem do antes e depois, acompanhada por uma legenda onde sublinhava o facto de ser, orgulhosamente, uma mulher negra, e que por isso jamais aceitaria uma modificação destas: «Já deixei claro, diversas vezes que celebro, com todas as células do meu corpo, a minha origem (…) Aparecer na capa de uma revista é uma oportunidade de mostrar a outras pessoas de pele negra, e cabelo encaracolado, especialmente crianças, que são bonitas tal como são. Estou desapontada com a Grazia UK por me ter convidado para fazer a capa da revista e depois ter editado e suavizado o meu cabelo para que encaixasse na sua perspetiva de o que é um cabelo bonito» afirma Nyong’o na publicação (que pode ver em baixo).

A revista já emitiu uma resposta à acusação da atriz, afirmando que se comprometem a «representar a diversidade» e que pedem «sem reservas, desculpa a Lupita Nyong’o». Acrescentaram ainda que «em nenhum ponto requeremos ao fotógrafo alterações ao cabelo de Lupita Nyong’0, nem o alterámos nós mesmos».

 

As I have made clear so often in the past with every fiber of my being, I embrace my natural heritage and despite having grown up thinking light skin and straight, silky hair were the standards of beauty, I now know that my dark skin and kinky, coily hair are beautiful too. Being featured on the cover of a magazine fulfills me as it is an opportunity to show other dark, kinky-haired people, and particularly our children, that they are beautiful just the way they are. I am disappointed that @graziauk invited me to be on their cover and then edited out and smoothed my hair to fit their notion of what beautiful hair looks like. Had I been consulted, I would have explained that I cannot support or condone the omission of what is my native heritage with the intention that they appreciate that there is still a very long way to go to combat the unconscious prejudice against black women’s complexion, hair style and texture. #dtmh

Uma publicação partilhada por Lupita Nyong’o (@lupitanyongo) a

 

Lupita Nyong’o não é um caso isolado

Lupita Nyong’o não é, nem foi, a única celebridade negra a acusar uma revista de alterar uma fotografia, recorrendo ao Photoshop, para encaixar melhor naquilo que muitos ainda consideram como o «padrão de beleza ocidental». Em março de 2015, e abril de 2016, Kerry Washington acusou a InStyle e a AdWeek (respetivamente) de terem aclarado o seu tom de pele e alterado as suas feições recorrendo a ferramentas de edição de imagem. Também em outubro de 2015, Zendaya revelou ter ficado chocada ao ver o resultado da manipulação numa série de fotografias suas publicadas na Modelist Magazine, onde as suas ancas e peito tinham sido reduzidos.

Para além de Washington e Zendaya, mais recentemente, no passado mês de setembro, Emily Ratajkowski, denunciou a Madame Figaro, contando que, na capa, tanto o seu peitos como os lábios tinham sido diminuídos, sem o seu consentimento.