Raquel Strada Fala sobre Moda, Redes Sociais e o Futuro

Tanto está nos ecrãs como está em Milão, como está em trânsito constante entre Porto, Lisboa e o mundo. Por: Lígia Gonçalves -- Imagens: © Gonçalo Claro

Antes de estar no estúdio para fotografar as imagens que agora cobrem estas páginas estava num avião, ainda o sol não tinha nascido, a voar do Porto para Lisboa. Às 17h30, ainda o sol não se tinha posto, foi direta para Paris para uma ação internacional da Levi’s.

Entretanto passou pelo Porto e por Lisboa mais umas quantas vezes, e gravou pelo menos mais um episódio de 100% Moda Portugal, o programa que apresenta na SIC Notícias. As semanas anteriores não foram mais calmas: esteve nos Óscares e antes disso nas várias capitais da Moda para assistir aos desfiles para o outono‐inverno 2018‐19. O horário de Raquel deixa muito pouco espaço para quase tudo, incluindo respirar, por isso esta entrevista foi conduzida por e‐mail. Mas Raquel é por palavras, como é ao vivo, 100% presente.

Antes de mais, como é que estás?

Agora estou óptima. Mas nos últimos dias tenho estado meia constipada… Mas acho que é das voltas todas que tenho dado. Pouco descanso deixa‐me o sistema imunitário mais fraco. Mas de resto, estou mesmo impecável.

O que é que estavas a fazer antes desta entrevista?

Estava a ver o Humanity. O primeiro espetáculo de stand up do Ricky Gervais dos últimos sete anos… Isto se não contarmos com os Globos de Ouro.

E o que é que vais fazer a seguir?

São neste momento 00:47. Vou dormir, porque vou gravar às 7h da manhã. Ultimamente durmo quatro, ou cinco horas. Acordo com as galinhas para trabalhar e não consigo adormecer cedo… Estou meia desregulada… (risos).

Como é que é estar em (quase) todo o lado?

É ficar a achar que devia ter uma sósia. Ou uma gémea. Embora ache que ter uma irmã idêntica, ou igual, a mim não seria fixe (risos). Mas é cansativo. O meu trabalho exige que esteja presente nas gravações, nas sessões fotográficas, nas reuniões com as marcas, no desenvolvimento dos produtos e das apps, só para te dar alguns exemplos. Às vezes cansa. A sorte é que tenho uma equipa óptima que me ajuda. E tudo o que não tem de ter a minha presença física, ou ser revisto por mim, passo para eles.

E como é que consegues?

Com as pessoas que trabalham comigo. Se não dava em maluca. Não conseguia. E com os aviões… (risos). Se não fosse esta facilidade de estarmos em qualquer ponto do mundo rápido, não sei como seria.

Onde é que gostas mais de gastar tempo?

Neste momento a dormir… (risos). E a ler. São duas das coisas que mais gosto de fazer na vida. Se calhar podemos juntar comer. Comer bem. Adoro experimentar comidas novas… Só de pensar nisso quando acabar aqui vou à cozinha buscar qualquer coisa. Talvez uma tosta de queijo com tomate… e vou fazer um chá de gengibre.

Qual é a melhor definição de tempo para ti?

Tempo de qualidade para mim é estar com a minha família e amigos. Mesmo que seja pouco. O tempo é a maior commodity de todas. E apercebi‐me disso já há alguns anos.

Onde é que gostavas de estar neste momento?

Exactamente onde estou. Na minha cama, ao pé do meu marido. Adoro dormir encostada a ele. Sentir o calor do corpo de outra pessoa enquanto dormes é a melhor coisa do mundo para mim… Agora, se estás a falar em termos profissionais, onde estou. Tenho um programa de televisão, trabalho o digital como queria, vou lançar a minha marca, estou a criar a minha app… e tenho dois projetos em curso. Estou a fazer o que queria.

E no futuro?

Quero gerir o meu negócio. Quero escrever… Quero que não passe tudo pela minha imagem, mas sim por uma curadoria. Quero trabalhar do escritório. E é isso que vou fazer.

O que é que já nos podes contar em relação à tua marca?

Ainda não posso contar muito… Só vos posso dizer que já está em desenvolvimento. Se tudo correr bem no fim do ano, no máximo no início do próximo ano, vou ter tudo pronto para vos mostrar.

Vives entre as cidades de Lisboa e Porto, quantas vezes por semana fazes essa ligação?

No mínimo duas. No máximo cinco. É uma loucura. Sempre para cima e para baixo. Ele [o marido], ou eu.

Achas que algum dia vais escolher uma das duas?

Acho que não. O Porto adoptou‐me. Mas Lisboa vai ser sempre a minha cidade.

Tens estado em quase todas as semanas de moda internacionais, mas não perdes o foco da moda nacional. Que continuas a apoiar e a vestir. Achas que ainda há um preconceito em relação aos nossos criadores?

Não. Acho só que não há escala. Os preços não estão ajustados devido à escala. Se assim fosse toda a gente vestiria mais português. Depois é uma questão de qualidade. E aí tu escolhes. Há coisas mal feitas por um designer português ou não, como há numa loja de massas. E tu escolhes o que queres comprar. Mas, para mim, o problema é e será sempre a escala.

És blogger e influencer… Isso implica partilhas constantes nas redes sociais. Como é que geres o que partilhas, ou não?

Por norma só partilho coisas com que me identifico. Em relação à minha vida pessoal vou até a um certo ponto, é preciso dares de ti às pessoas para receberes de volta. Outras partes guardo para mim. Acho que é justo.

O que é que as pessoas continuam a não saber sobre ti?

Muita coisa. Que como sempre o mesmo ao pequeno‐almoço, que odeio que me mexam na barriga… Tanta coisa.

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de maio de 2018.