Ruben Rua Numa Entrevista Exclusiva

A determinação conquistou-lhe a carreira que tem hoje. Entrevistámos o homem que apaixonou o país. Fotos: © Gonçalo Claro.

Lançou um livro, viajou para Nova Iorque a convite de uma das maiores agências de modelos do mundo (a Wilhelmina), confirmou-se na apresentação e despediu-se das passerelles nacionais, num dia que a ELLE acompanhou online, passo a passo: 2016 foi um ano marcante para Ruben Rua. Mas 2017 não dá sinais de abrandar: fez 30 anos em fevereiro, há rumores de que apresentará um grande formato na TVI e, Leviano, o primeiro filme que protagonizou chega às telas de cinema. A vida de Rua é como ele: frenética, intensa e contagiante. Entrevistá-lo era quase obrigatório.

 

ELLE: Do andebol para a moda. Como é que começa a tua carreira? Porque é que te inscreveste no Elite Model Look?

RUBEN RUA: Um amigo meu concorreu no ano anterior e foi finalista e todo o relato da experiência – as miúdas, os trabalhos, os castings – me fez concorrer. Lembro-me de uma vez me contar que tinha um casting para a ModaLisboa e de ter sido aí que me apercebi que o Elite Model Look era uma porta para o que vinha a seguir. E, por isso, no ano seguinte resolvi seguir os passos dele.

 

Mas nunca tinhas pensado em ser modelo antes…

Não… Na verdade eu próprio não sabia como é que isso podia acontecer. E não era o rumo que eu tinha idealizado para mim: era mais o andebol, a faculdade, o Porto… Isso era o que parecia certo para mim e a moda era uma realidade distante.

 

Entretanto inscreveste-te e a tua carreira começou. Que características são fundamentais num bom modelo?

Se pudesse escolher só uma palavra, diria atitude. Porque acho que a atitude revela-se em tudo. Um bom modelo obviamente tem de ter características físicas, mas a atitude é a palavra de ordem. Revela-se na tua personalidade, no espírito com que agarras cada casting, cada visita à agência, cada contacto com um possível cliente. Tudo isso conta, porque bonitos, altos e magros há muitos.

 

O ano passado decidiste deixar as passerelles nacionais. Como é que tomaste essa decisão e como é que viveste esse dia?

Acho que foi um dia acima de tudo bonito. E eu queria que fosse um dia bonito, não queria que fosse um dia triste ou lamechas, até porque foi uma decisão minha. E não foi fácil tomá-la, é daqueles momentos que os modelos adiam toda a vida. Com esta decisão fechou-se um ciclo de 10 anos de edições consecutivas, nas semanas de moda. Mas, por tudo o que estava a acontecer fora do meio da Moda, achei que fazia sentido. Senti que era o momento e que estava na hora de dar o lugar a outros modelos. E para mim foi uma despedida perfeita: na minha cidade e no desfile de Miguel Vieira.

 

Sentes que estás numa nova fase da tua vida?

Sinto que as coisas estão a mudar. Até vou mudar de casa e não era suposto. Mas parece que as mudanças estão a chegar todas. Não sei se é um efeito dos 30 anos ou de tudo o que está a acontecer na minha carreira, neste momento. No final do ano, deixei o Whats Up, na RTP2 e essa também não foi uma decisão fácil. O trabalho na Elite (como booker) continua e por agora não está em questão. Fala-se no Ruben apresentador, mas eu ainda não tenho nenhuma certeza em relação a isso. Ainda não sei o exatamente o que é que vai acontecer, mas sinto que 2017 vai ser um ano cheio de coisas boas.

 

Como é que estás a lidar com a incerteza da mudança?

Eu habituei-me a lidar bem com a mudança, porque a minha vida mudou muitas vezes nos últimos anos. Mas, neste mo- mento, eu não sei exatamente o que é que vem aí. Quando sabes o que é que está para acontecer, fica sob o teu controlo encaixá-lo na tua vida. Mas, neste momento, eu não sei exatamente o que é que será. Claro que tenho as minhas expectativas e os meus sonhos, mas, para já, ainda não são coisas concretas. Portanto isso deixa-me às vezes apreensivo ou com algumas dúvidas. Simultanemente aprendi que as coisas acabam por encontrar naturalmente o seu próprio espaço.

 

Foi por sentires essa mudança que resolveste escrever o livro, ou ele surge num contexto completamente diferente?

O livro surge num contexto completamente diferente e acaba por ficar perfeito dentro do contexto atual. Foi uma sugestão dada em finais do ano de 2015, pela Raquel Gomes da Costa, que trabalhava na Elite como publicist e nessa altura eu estava com o filme, com a moda, etc… E já aí queria fazê-lo, mas não era o timing certo. A ideia ficou e no início de 2016, senti que era o tempo para o fazer. A primeira reunião foi em março e comecei a escrever o Podes Ser Tudo, em abril. Aí ainda não tinha tido a experiência na TVI, que só surgiu em maio. Não tinha uma data certa para abandonar as semanas de moda, não sabia que a final do Elite Model Look ia ser em Lisboa, muito menos que seria o apresentador televisivo… Por isso o livro é um projeto que nada tem a ver com o momento atual, mas que acaba por chegar na melhor altura possível.

 

Outra novidade, este ano deve estrear o Leviano. Como é que foi essa experiência no cinema?

Foi incrível, eu nunca tinha feito nada na área. E foi uma experiência super enriquecedora. De facto não é à toa que o cinema é chamado de sétima arte, porque é mesmo uma arte. E apesar de ter sido um projeto que me desgastou muito, porque estava sempre a viajar, entre o Algarve (onde foram as rodagens) e Lisboa, ao mesmo tempo deu-me imenso gozo. Que palavra usarias para definir este novo ano? Mudança. Acho que é um ano de mudança.

 

E vai ser ainda melhor do que 2016?

As mudanças têm de ser sempre para melhor, senão estamos no caminho errado. E eu acho que estou no caminho certo.

 


 

Realização: Cláudia Barros

Cabelos: Cláudia Marques com produtos Redken.

Maquilhagem: Miguel Stapleton.

 

Entrevista originalmente publicada na ELLE de fevereiro de 2017.


  • Casaco em algodão, € 159,90, calças em algodão, € 79,90, camisa em algodão, € 59,90 e sapatos em pele, € 169,90, tudo Antony Morato. Cinto em pele, Scotch&Soda


  • Casaco em algodão, colete em algodão, € 69,90, e calças em algodão, tudo Antony Morato.


  • Casaco, € 159,90, calças, € 79,90, camisa em algodão, € 59,90 e sapatos em pele, € 169,90, tudo Antony Morato. Cinto em pele, Scotch&Soda.